
Há algo em construção a caminho!
Um quê de saudade me diz que a mesma ponte que conduziu os seus passos àquela estação, traz de volta hoje, pelas janelas da alma, lembranças e afetos que ficaram em “stand by” por um longo tempo.
Tempo, tempo, tempo... Por que retornas sorrateiro e covardemente da tua laje fria, trazendo à vida os teus cadáveres insepultos?
Que queres, tu, de mim? Não te foi suficiente os meus anos de solidão e o enterro das minhas quimeras? Que mais queres? Tudo entreguei junto com a minha juventude e os meus sonhos. A velha chama - resquício de um amor que ainda arde em mim, conta a história de um amor que teve início e parece não ter fim, agonizando vez ou outra em processos de partidas, para retornar sempre de assalto e dizer simplesmente: “Abre a tranca da janela, por favor, que o pior da tempestade já passou”.
Não! Não passou.
Hoje, tal e qual um redemoinho, ela invade e desarruma, desestruturando bases sólidas de um caminho construído sobre pontes que falam de amor, de saudade e de dor.
E agora tempo, o que fazer com as palavras soletradas em silêncio? Elas dizem que tudo é nada sem você.
Há algo em construção a caminho!
Sou eu, ainda e sempre, indo em sua direção, brigando com o “tempo que adormece as paixões” e construindo saudades que me levam de volta a você.
Um comentário:
Julieta...é claro que isto não é um comentário... mas tampouco uma despedida. As palavras ( aqui, num blog, numa carta, ditas ) serão sempre insuficientes para (re)construir o caminho, eu sei.
Às vezes, alguém diz: Os amigos... para isso servem os amigos...
Pois... não é certo, nem verdadeiro. Os amigos ( reais ou virtuais, mas amigos do peito ) sofrem, é certo... mas a dor maior é de quem sente. E por mais que se suavizem as palavras, em metamorfoses literárias... chega um tempo em que a tristeza escorre e encharca as folhas de papel. Os amigos então dirão: " Estamos aqui, estamos aqui..."
Mas quem sente... não é dessa presença que precisa, não é aos amigos que se reza, ou implora na calada da noite, ou se fazem vâs promessas a todos os deuses desconhecidos.
Julieta... entristece-me pensar que o que transbordas dos olhos não seja suficiente para inundar aquele que desejas. Muitas vezes... o que pensamos ser cálices, são meros pratos rasos, sem capacidade para conter nada, absolutamente nada.
Sempre tentei seguir aquela máxima de " vai onde te leva o coração "... e tambem já tive a minha dose de deserto sem oásis, de planta ressequida, de "avião sem asa", como diz a canção.
Nada do que eu diga, ou escreva, altera isto. Nada do que eu aqui coloque te fará um pouco mais feliz. Mas apesar disso... a vida é simplesmente o tal conjunto de memórias, de lembranças que persistem nos outros... e como tal, com ou sem blog... Desejo e faço força para que o universo te sorria, e que tropeces continuamente em todas as pequenas felicidades que a vida possa ainda trazer-te.
Um beijo, Julieta. Continua a reconstruir o teu caminho.
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