
Há tempos que eu venho procurando uma maneira de ser feliz. Peguei os retalhos de lembranças - costurados pelo tempo - e trouxe-os à tona. Olhei para o álbum de fotografias e vasculhei na memória, o enredo da nossa história de amor.
Uma fenda abriu-se e deixou expostas as gavetas da minha alma, por onde perpassam os meus anseios e onde está a sinopse de tudo o que eu tentei reconstruir durante esses últimos anos, sobre nós dois. Ao olhar através das frestas eu usufruí do silêncio do meu delito, mas me tornei refém das minhas lembranças: sem querer eu tomei posse de uma felicidade clandestina. Abandonei a ousadia de tentar um novo caminho e abdiquei do direito de ser feliz, quando me permiti viver ilhada num mar de recordações.
Na curva do tempo eu me tornei “emocionalmente inválida”, vivendo de fantasias e criando armadilhas invisíveis para reeditar uma história de amor que acabou há anos. Há muito que o príncipe virou sapo... Só eu não percebi que assim como o tempo e as cores dessa natureza efêmera, o meu amor também desbotou e se fez em pedaços imperceptíveis.
Preciso reescrever essa história sem as amarras do passado e para isso eu vou procurar o avesso dos fatos. Quem sabe, agora, eu possa transitar de olhos abertos entre o sonho e a realidade e consiga, de vez, lapidar as minhas frases de amor, dando-lhes um destino melhor...
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