Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

julho 16, 2008

Amor ao Poder






Vivemos uma época de ressaca amorosa...
Procuramos um amor com características próprias, ou seja, alguns quilos de carne fresca com músculos bem definidos, adornados com as grifes da moda - Versace, Louis Vuitton e Armani - e alguns adereços, certamente, adquiridos na última Fashion Week. Deseja-se ainda, que ele venha embrulhado para presente e de preferência com um pomposo sobrenome de família assinado no verso do cartão. É um amor possível, mas que pressupõe vaidades: é arrogante, orgulhoso do ‘estar’ e sempre consegue o que quer, embora padeça da efemeridade e tenha na impermanência a lógica do seu desejo desvairado. É o amor ao poder...

Pobre amor de poderes podres que chafurdam no lamaçal da boçalidade e da inconseqüência. Ao menor sinal de desilusão, ou à primeira ruga ou cicatriz que surgir, lá se vai embora o amor procurar, nas prateleiras das varas de família, o acordo mais rentável, que é para fazer justiça ao parceiro por tanta ‘ dedicação e renúncia’, ‘companheirismo e cumplicidade’.

A antítese desse amor é o poder do amor conjugado na primeira pessoa do plural – nós – e que fala amorosamente e de mãos dadas sobre: carinho, ternura, compromisso e responsabilidade, solidariedade e respeito, peças fundamentais na construção de uma vida a dois. Amores assim constituídos, não desmoronam por uma gordurinha aqui, uma celulite ali ou uma seqüela física qualquer, nem tampouco se um revés financeiro mudar os ventos da bonança para outras plagas. É um amor sem disputas de egos ou de poder. É um amor de completude e não de exclusão... É um amor com açúcar e com afeto suficientes para acender uma fogueira, ouvir o outro e, a partir daí, reinventar o amor se necessário for.

julho 13, 2008

Tempo, Palavras-promessa e Ventos







Em ritmo de bolero as palavras dançam no céu da minha boca... Duas pra lá duas pra cá.
Quero falar de amor...

De soslaio, olho para o alfabeto - que desfila em seu traje de gala extasiando-se no perfume embriagador das promessas verbais - e penso: até quando, brincar com as palavras me será útil para entender os sentimentos confusos que passeiam dentro de mim, desarmando frases e perdoando discursos, num exercício de contradição tão evidente, que nenhum alfabeto será capaz de me conceder o 'habeas corpus'.

Consulto o tempo e ele diz: você ainda é uma garota sonhadora que se debruça sobre a linguagem para recolher instantes de amor. Volto, então, às letras e pergunto-lhes sobre a importância das palavras. Elas respondem: tempo, palavras-promessa e ventos são os três mosqueteiros que destroem o código do amor.

Não satisfeita eu retorno ao salão - o céu da minha boca – aproveito o ritmo contagiante do frevo e dissolvo em segundos a sopa de letras que expõe a minha fragilidade e a minha dor... Justifico-me dizendo: são brincadeiras do dicionário num encontro com o alfabeto do desamor. E minto. (...).

Palavras-promessa espalham-se aos ventos e eu sigo brincando, ora outorgando-lhes poderes incontestáveis ora trapaceando mentiras de amor.

julho 06, 2008

Meu Pé de Flamboyant














O Pé de Flamboyant – da minha infância - era o meu passaporte para a felicidade e a minha identidade de criança. Nós fincamos as nossas raízes em um mesmo terreno e crescemos juntos. Ninguém sabia ao certo onde começava um ou findava o outro. Éramos unha e carne, parceiros e cúmplices, companheiros de uma infância feliz. “Carpe Diem” era o nosso código.

Naquela época, o tempo e o vento em conta-gotas contribuíam para o bailado que as flores executavam quando se desprendiam dos galhos, fazendo surgir em ondas vermelhas um tapete por onde rolavam as nossas emoções e a sutil arte de ser feliz, pois, de viver ninguém tinha pressa; colhíamos o dia para saboreá-lo à noite entre sussurros e risadas felizes.

O tempo se fez cupido dos meus sonhos: o meu pé de Flamboyant adormeceu em mim, e acordou hoje, trazendo lembranças que me fazem feliz outra vez.

Em seu tronco mais forte instalei um balanço – uma corda, uma tábua e um travesseiro - e eu, menina, alcei voos inimagináveis... Pura fantasia, somente realizável pela inconsequência da idade e do ser criança; muitas vezes eu subi em seus galhos com um prato de comida numa mão e um copo na outra, apenas, para olhar a cidade do alto de suas copas. Sentia-me feliz e poderosa... Era a felicidade em flocos de algodão doce tentando se misturar às nuvens para tomar banho de sol...

julho 03, 2008

Um Abraço de Palavras



Hoje, eu vou sair de mim para ir ao seu encontro. Estou desarmada e em missão de paz.
Trago um abraço lambuzado de palavras e todas com o sabor do caramelo. Por favor, não se afaste, não se feche em copas ou fuja de mim, também não precisa empacotar toda a sua mudança interna de afetos e sentimentos mal resolvidos; apenas para me dizer que não está sofrendo...


Eu amei você e precisei desse tempo para comprovar que você não existia. Mas agora, pode voltar AMIGO, a casa continua sempre sua... Não precisa bater! Entre só de mansinho e se deixe abraçar, pois em meu mundo de palavras sobram abraços para você.

julho 02, 2008

Amor em Chamas




Você me queima e eu derreto ante a ausência das palavras de amor que não foram ditas.

Feito um cubo de gelo o meu coração desfila saudades que se esvaem. O meu sonho de amor, última chama de uma tocha olímpica, me levou ao podium das dores. Ganhei medalha de ouro em sofrimento por insensatez, mas nem assim, eu refutei a sua importância em minha vida. O passado, hoje, é um quadro pendurado à altura dos meus olhos e bem perto do meu coração; feito chama que arde, mas não queima mais...

Enquanto vivo, aprendo e busco coerência para o meu sofrimento nas palavras que Carpinejar, tão lindamente, poetizou: “Não irei me vingar com as cinzas, arrancar as folhas que não combinam comigo, ou que me provocaram decepções. Não serei visto queimando fotografias, cartas e paixões numa lata de lixo, apenas porque não me servem mais. O que namorei vai me enamorar a vida inteira. Estará lá numa página definida, permanente, com a letra segurando as linhas (...). Todos os meus erros são esperançosos pela releitura”*.

*Publicado em 24/06/08 -fabriciocarpinejar.blogger.com.br

julho 01, 2008

Nem Preto nem Branco



Homens não têm pele, eles se vestem pelas almas.
Almas que provocam o arrepio na pele ou a repulsa no olhar.
A infinita beleza do arco-íris - em sua poesia de cores e encantamentos - é que agasalha os homens despidos de preconceitos e irmanados na multiplicidade racial.
Somos todos começo de uma mesma fonte, estrelas cadentes expatriadas para a terra do sem fim, onde não há fronteiras nem de cor nem de raça e os limites territoriais são firmados no espaço existente entre o encontro de mãos.

junho 13, 2008

As ruas dentro de mim






As ruas da minha cidade caminham dentro de mim e por elas passeiam a menina-moça que eu fui um dia. Hoje, ao percorrer a passos largos de saudades por essas mesmas vias de outrora, me vejo - num olhar de doce contemplação - a procurar personagens que fazem parte desse meu trajeto pelas ruas da cidade.

Tudo continua igual, nada nem ninguém mudou de endereço.
Nenhum caminhão de mudança à vista...
Por que será, então, que só eu faço parte desse cenário? Um silêncio cala o barulho que vem de fora e eu sinto nesse momento que os meus sentidos se aguçam, reproduzindo sons e trazendo aromas, que fazem aflorar através das minhas lembranças, os passos que me conduzem a esse mesmo lugar e a fragrância do jasmim que perfumam as ruas da minha cidade.

Abro a janela da minha alma e a imaginação corre solta: ruas, avenidas e praças contornam os meus sonhos de menina. Aqui, a Festa das Neves se manifesta através do som alegre dos seus parques de diversões, da alegria criança dos seus meninos com o cheiro do cachorro-quente, do espetinho de carne e da maçã do amor. Lá nas Avenidas dos Ipês Amarelos, onde a poesia e o poeta marcaram um encontro de amor, alguma lágrima furtiva ficou esquecida a banhar as folhas que caem, marcas de um tempo e de saudades, ainda, em flor. Folhas ao vento espalham-se, cobrindo ruas, dobrando esquinas e deixando nua a minha alma, que caminha hoje solitária, pelas ruas dentro de mim.


Na praça, sentado em um banco qualquer, eu encontro o poeta – único personagem resgatado nessas minhas andanças – trazendo em suas mãos um amontoado de sonhos, em folhas de outono, que se dispersam pelos chãos: é um viajante que corre em busca do tempo perdido; é um encontro que foi desfeito e uma saudade que foi esquecida. E, finalmente, é o vento que varre as ruas, hoje quase nuas, e os espelhos d’água, provocados pelas lágrimas minhas e suas.

maio 24, 2008

Quem eu Sou?




A quem interessar possa eu quero dizer que não tenho pretensões literárias. Escrevo para exorcizar velhos amores e curar antigas feridas. As palavras me vêm como beija-flores: pousam e vão embora. Percorro todo o alfabeto velozmente, brincando com as palavras, tentando dar-lhes sentido para ver se alguma coisa aqui dentro - do coração - faz eco.
E entre uma frase e outra eu, às vezes, tropeço nas palavras dando-lhes um peso e uma importância que já não têm mais.

Quem eu sou, pergunto-me? Sou a soma das palavras que se juntam para falarem de amor. Tenho-as no céu da boca adoçadas pelo mel que escorrem dos amores finitos.

Ainda não consegui o meu alvará de soltura em matéria de amor. Falta-me atrevimento, ousadia para tentar um novo caminho que me liberte da zona de conforto onde eu me refugiei. Em meu sítio de memórias ainda guardo velhas lembranças que se deixam corroer pelas traças, mas não abrem mão do passado e seu cheiro de naftalina. Tento provocar avarias desconstruindo personagens mitificadas, mas o amor não quer tirar férias em meu coração. Então eu vou seguindo à trilha deixando que os meus passos contem, passo a passo, quem eu sou.

maio 22, 2008

Meus três Amores





As folhas secas do outono me fazem lembrar os baús esquecidos nos porões, guardiões de saudades esquecidas, que vez ou outra ressurgem com cheiro de naftalina. É o inverno que se avizinha trazendo o vento frio que açoita a minha alma, com lembranças já gastas de um passado ainda tão recente.

Foram três os amores que eu tive.
Três amores, três visitas: Uma esperança, uma presença e uma lembrança.
A primeira me surgiu em cima de um cavalo baio, tocou levemente em meu corpo e arrebatou a minha alma. Deixou-me trinta moedas de ouro.
A segunda me chegou de mansinho, como quem nada queria, me encontrou desarvorada e me deu o seu carinho. Foi no verão, um tempo de calor e emoção. Um beijo tímido e hesitante foi o presente e marcou a fecundação. Deixou-me três vidas.
A terceira trouxe o beijo molhado de chuva, a rosa vermelha ainda em botão, o amor cantado em versos e prosa para alegrar o meu coração. Era a primavera e a vida se fez alegria, estava no ar o amor com gosto de poesia. Deixou-me um poema e uma canção, e a certeza do seu amor em meu coração.

Foram três os amores que eu tive. Três amores, três visitas.
E foi assim que o amor se fez silêncio, nos braços do sonho que o acalentava.

maio 07, 2008

Sob o signo da liberdade





Andaram me procurando, não encontraram. Recolhi-me.
E agora, sob o signo da liberdade, eu estou perambulando pelas ruas esquecidas de mim. Já não tenho necessidade das grades da alma. A chuva arrastou tudo o que encontrou pela frente e deixou desabrigado o meu coração. E por estar assim, exposto às intempéries, ele apressou o passo e foi ao encontro de uma nova vida... Um lugar seguro onde pôde abrigar-se dos rigores do inverno, enquanto a primavera com o seu verde esperança, não tardou a lhe trazer o sol que a tudo iluminou e fez florescer.

Durante o tempo em que a chuva se fez presente com os seus raios e trovoadas, não pude perceber toda a beleza do arco-íris que vem depois. Mas, um pequeno raio de sol em toda a sua exuberância de luz fez surgir, da cadeia que aprisionou a minha alma por tanto tempo, a Fênix que habita em mim... Então, eu ressurgi, mas não das cinzas e sim, de um belo dia de chuva que lavou a minha alma e deixou livre o meu coração.

abril 28, 2008

Inesquecível




Uma tela em branco à minha frente sempre me convida a rabiscar ideias que pulsam a todo o momento, quando permito que os meus sentimentos fiquem à deriva. Deixo-me conduzir, então, por lembranças que a marca do tempo não conseguiu alcançar: tudo se faz presente outra vez. Um cheiro, um som e uma voz, e eu já embarquei nesse trem em busca de uma estação chamada saudade. Lá, existe um terreno fértil onde eu vou poder acolher e agasalhar todos os momentos vividos, resgatando-os para, oportunamente, transformá-los em inesquecíveis.

Somos todos passageiros de um tempo, em que as lembranças começam sempre que os primeiros fios de cabelos brancos nos conduzem ao porto solidão. Nesse lugar, ficamos a sós e em meio a esse silêncio interior, buscamos em nossas memórias por momentos intangíveis.


Uma casa com pomar e imensos canteiros é a mais bela tradução de uma infância feliz. De manhã, ao primeiro raio de sol, lá estava eu, toda faceira, recolhendo todos os cajás que as minhas mãos infantis pudessem alcançar. Depois vinham as pinhas, as goiabas e as groselhas, muitas vezes colhidas sob uma chuva fina que só contribuía para deixar o amanhecer mais encantador. Café da manhã tomado, corria eu para os canteiros de flores e hortaliças, onde os pés de alface, de coentro, de tomate e de pimentão, molhadinhos do orvalho da madrugada, ofereciam aos meus olhos um espetáculo de cores em perfeita sintonia com a suavidade do perfume da rosas, das margaridas, dos cravos e dálias que enfeitavam o jardim da minha mãe. Esse é o cheiro... Inesquecível.


Foi há tanto tempo e aqui dentro - do coração - parece que aconteceu ontem: um rádio antigo tocava a música o ‘Lago dos Cisnes’ embalando a novela que se passava às 17h30min, para logo em seguida, a primeira batida das l8 horas, a suave ‘Ave Maria de Gounod’, se fazer ouvir. Depois, após o jantar, íamos todos à sala do piano, ouvir Ray Conniff em suaves acordes, transformando a noite em uma doce melodia. Esse é o som... Inesquecível.


Uma rede na varanda – para ler gibis - um balanço de cordas no pé de flamboaiã, brincadeiras com bola de gude, com bambolê, jogar amarelinha e brincar de casinha, trazem hoje, aqui e agora, o eco de uma voz... Inesquecível. “Menina, passe já para dentro! Está na hora de tomar banho, almoçar, ir ao colégio, dormir, acordar, apanhar cajás...”.


É a vida que continua gerando lembranças e trazendo saudades: Um cheiro... Um som... Uma voz... Inesquecíveis.

abril 25, 2008

Sonhos!









Tínhamos um encontro marcado, todos os dias, eu e o poeta. Sempre que eu ligava o computador, ali estava ele, sereno, afetuoso e magnânimo em seus comentários. Fui me acostumando a tê-lo por perto e me distraí, quando me dei conta estava totalmente seduzida por suas palavras: o amor se instalou em meu coração.

Ah! Meu poeta distraído, por onde andará, hoje, todo o sentimento do mundo que você poeticamente transforma em ‘palavras caramelo’? Sinto saudades das coisas e dos afetos que não vivemos, separados que fomos por caminhos que não se cruzaram. Como teria sido o encontro entre a menina sonhadora e o poeta distraído? Caberia em palavras um sentimento tão puro que nem um coração tão grande parece ter espaço para abrigar?

Sonhos... São sempre sonhos as viagens que fazemos juntos. Eu aqui a desenrolar os fios de um novelo, peça de ficção, de uma história de amor que nunca aconteceu, e você daí, tal e qual um poeta apaixonado, a me mandar versos encantados que seduzem e arrebatam a minha alma.

março 29, 2008

Canção da Chuva



Lá fora, a chuva cai silenciosa e intermitente. Aqui dentro, as lembranças vão surgindo no mesmo ritmo, deixando a descoberto a criança que fui um dia. Basta uma garoa e lá estou eu, menina, a correr pelos campos, olhando para o céu e pedindo a São Pedro que faça cair um toró capaz de lavar a minha alma.

Que saudades que eu tenho de ser criança outra vez! Ela é a minha melhor parte... É o sonho, a magia, a ternura, a inocência e o mais importante: é a soma de toda a humanidade dentro de mim. Posso abrigar dentro dela, o branco e o negro, o feio e o belo, o perfeito e o imperfeito, o oriental e o ocidental, sem que isso faça a menor diferença, pois ela desconhece a maldade e o preconceito.


Não por acaso, hoje, sentindo essa chuva fina que cai como lágrimas dos céus a derramarem-se sobre o meu rosto; eu sinto saudades da minha infância e da alegria criança que eu nunca perdi. Tenho ímpetos de sair por aí me banhando nas águas de março, oferecendo o rosto para o beijo molhado da chuva a purificar a minha alma e aquietar o meu coração tão saudoso do passado.

A minha memória afetiva traz o som de um piano a executar o ‘Noturno de Chopin’ noite adentro, em sintonia com a canção da chuva que torna o ambiente acolhedor e propício às saudades em tom maior.


Um jardim cheio de flores, borboletas a pousar em rosas, margaridas, cravos e dálias e uma grama molhada pelo orvalho da madrugada denunciam que a criança que há em mim, está pedindo passagem: “são as águas de março fechando o verão” é a saudade de mim, fazendo morada em meu coração.

março 14, 2008

Antes que seja tarde!




A você que percorreu comigo toda a Via Láctea e, entre sorrisos e beijos, caminhou por entre astros e estrelas, murmurando palavras de amor, eu venho, hoje, prestar a minha homenagem.

Obrigada, por seu amor tão puro, tão lindo e tão sedutor. Obrigada pela beleza desse amor cantado em versos e em prosas e por ter me apresentado a ele de uma maneira tão doce, tão terna e ao mesmo tempo tão arrebatadora...

Foram anos de encantamento e magia, que eu plantei no jardim das saudades que gosto de ter e para as quais eu volto, sempre que do amor alguém me faz descrer.

Quisera, ainda, com você poder compartilhar uma lua cheia, um chão coberto de estrelas. Vagar por entre nuvens, vivendo os mesmos sonhos e as mesmas emoções e, de mãos dadas, pisar nos astros de maneira distraída... Mas não posso. E essa impossibilidade me diz que isto também é amor. É outra forma de amor. É respeito, é carinho, é o amor numa dimensão que não se mede pelo prazer, nem pela dor e, sim, por tudo o que ele representou enquanto durou.

A você que me ofertou flocos de algodão doce em forma de carinho e fez uma passarela de pétalas de rosas para que o meu caminhar fosse mais suave, eu retribuo dizendo, antes que seja tarde: Obrigada, por você ter existido em minha vida de uma maneira perene, afetuosa e singular.

março 02, 2008

Procura-se!




Procura-se um amor pra chamar de seu, que venha embrulhado em ternuras e que seja afeito aos carinhos meus. Sinto falta do amor... do amor simples, despojado e generoso, que não tenha pressa em partir e que se encante com a possibilidade do ficar. Sinto falta do amor que adore uma lua cheia, que goste de se banhar nas estrelas e que me faça versos ao luar. Sinto falta do amor que goste da terra molhada, do jardim cheio de flores e o do orvalho da madrugada.

Procura-se um amor que conjugue o verbo amar, que saiba rimar saudade com poesia e que tenha pressa em voltar.

Procura-se um amor que goste de chamego, de ternura e de aconchego e que venha para ficar... enquanto houver estrelas e noites de luar.