Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

agosto 24, 2008

Caro Amigo






Esse meu coração vagabundo anda vagando sem rumo à espreita de uma oportunidade para desafogar saudades. É tempo de renovação! O arrepio do corpo é o exercício do amor em movimento. A seara pede uma nova colheita... Bons ventos estão soprando nos trigais! Preciso extraviar as minhas saudades, para que o meu coração possa ser habitado novamente. Ele merece esta chance!

Devagar estou me reconstruindo após um luto prolongado e, agora, caro amigo, não sei onde colocar você na minha vida. Como uma aluna que admira o seu excelente Mestre - na arte da sedução e em construir e destruir ilusões - eu aprendi, com muito orgulho, todos os seus ensinamentos.


A modéstia me impede de dizer que a aluna superou o mestre, mas para regozijo seu, eu passei com louvor em todas as suas matérias. E é por isso que, nessa nova fase, nada passa despercebido: manhas, vícios, armadilhas e chantagens emocionais foram embaladas e despachadas, juntamente, com a sua mala que eu pus no corredor. Deixe a cópia da chave e seja feliz!

agosto 23, 2008

Eu criei você!







Aos quatro ventos espalham-se às sobras de mim... A minha ternura, o meu carinho, o meu desejo e essa vontade louca de ser feliz outra vez – sem você!

De repente um toque, um sino que badala lá longe, me traz de volta a realidade: você não existe, eu criei você, dei-lhe o status de personagem central da minha vida e no anfiteatro da minha existência ergui um circo onde o único palhaço era eu.
Agora, para delírio e gozo da platéia: eu o demito.

Enganando a Felicidade




Há tempos que eu venho procurando uma maneira de ser feliz. Peguei os retalhos de lembranças - costurados pelo tempo - e trouxe-os à tona. Olhei para o álbum de fotografias e vasculhei na memória, o enredo da nossa história de amor.

Uma fenda abriu-se e deixou expostas as gavetas da minha alma, por onde perpassam os meus anseios e onde está a sinopse de tudo o que eu tentei reconstruir durante esses últimos anos, sobre nós dois. Ao olhar através das frestas eu usufruí do silêncio do meu delito, mas me tornei refém das minhas lembranças: sem querer eu tomei posse de uma felicidade clandestina. Abandonei a ousadia de tentar um novo caminho e abdiquei do direito de ser feliz, quando me permiti viver ilhada num mar de recordações.

Na curva do tempo eu me tornei “emocionalmente inválida”, vivendo de fantasias e criando armadilhas invisíveis para reeditar uma história de amor que acabou há anos. Há muito que o príncipe virou sapo... Só eu não percebi que assim como o tempo e as cores dessa natureza efêmera, o meu amor também desbotou e se fez em pedaços imperceptíveis.

Preciso reescrever essa história sem as amarras do passado e para isso eu vou procurar o avesso dos fatos. Quem sabe, agora, eu possa transitar de olhos abertos entre o sonho e a realidade e consiga, de vez, lapidar as minhas frases de amor, dando-lhes um destino melhor...

agosto 21, 2008

Vermelho Rubro





De tanto brincar com as palavras, elas fugiram de mim, e em nome de uma suposta coerência, estão deixando o território livre para que eu decida, de uma vez por todas, se desejo o branco da folha de papel, ou assumo o ‘vermelho rubro’ da minha paixão escancarada.

Tentei argumentar, mas, alegando diferenças irreconciliáveis, elas me abandonaram pelo caminho. Foi então, que eu perguntei: se vocês forem embora, onde eu vou encontrar o amor? Houve um silêncio pesado entre nós – como se a resposta já estivesse explícita – e logo em seguida, elas responderam:

- Ele está dentro de você, nas curvas do seu desejo e por todos os poros por onde transpiram as suas urgências. (...).

E partiram, deixando-me a sós com a brancura da folha de papel, que hoje, não me permite grandes vôos, tampouco mais uma mentira.

Juventude x Sabedoria





Ao delimitar as fronteiras entre o ser jovem ou velho, estamos subtraindo das pessoas o que elas têm para nos dá de contribuição sobre os dois mundos. É improfícua a luta que se estabelece quando um despreza a experiência do outro, alegando que a modernidade e a juventude são pré-requisitos para uma vida melhor e mais inteligente.

Estamos na era da tecnologia, nunca as coisas avançaram em tamanha velocidade e com a ‘urgência do agora’, a ciência nos brinda todos os dias com uma nova invenção: um dia descobre-se que café, vinho e chocolate fazem bem, no outro, se desdiz. Nada, dura para sempre! Estamos sempre em processo de renovação e de novas descobertas. Por que então não fazermos bom uso dos nossos aprendizados.

Alguém já disse: “Não sou jovem, não sou velho. Tenho o melhor dos dois mundos”.
E já que vivemos uma época de descobertas efêmeras, por que não nos darmos as mãos, para juntos, encontrarmos o equilíbrio entre a experiência do novo e a sabedoria dos anos vividos.

Se não perdermos a nossa capacidade de sonhar, criar e acontecer, seremos sempre jovens, em experiências e sabedoria. Sem contrapor com a juventude!

agosto 14, 2008

Limites






O leque de opções que o excesso de liberdade possibilitou a essa juventude de hoje, talvez seja, o fio condutor que vá nos trazer respostas ao porquê de ela se encontrar tão perdida e sem referências, sobre o que fazer, para onde ir e em que sentido direcionar os seus sonhos e as suas angústias.

Tenho observado que quanto maior é a facilidade que ela encontra pelo seu caminho, maior é o seu despreparo diante da vida. Às vezes, somos facilitadores do ócio dos nossos jovens, quando não lhes cobramos responsabilidade e tiramos deles o dever de arcar com as conseqüências dos seus erros e acertos. Precisamos saber impor limites com amor. Essa juventude tem a seu favor os créditos daquela que a antecedeu: demo-lhes uma liberdade e uma confiança que não tivemos, ainda que merecedores. Abrimos veredas, descortinamos horizontes e oferecemos de bandeja todas as possibilidades para um caminhar sem tropeços e com poucas restrições: bastar-nos-ia o respeito e o reconhecimento, mas o que nos deram foi à culpa pela nossa indulgência.

Certa vez, o jornalista Paulo Francis disse: “Cada geração tem o seu código” e eu acredito, que o da minha geração tenha sido: responsabilidade, respeito e ousadia para quebrar regras que tornassem a nossa vida, na dobra do tempo, um prazer inenarrável de costurar pedaços de lembranças e transformá-las em vidas que valeram à pena.

Talvez, esteja na hora de ensinarmos o verdadeiro sentido da liberdade, para que ela – a juventude - aprenda sobre limites.

agosto 06, 2008

Contradições





Ando exercitando as minhas contradições. Ora vasculho gavetas e abro os armários em busca de lembranças que falam de nós dois – e me escondo no passado – ora deixo-as de lado, e sigo alimentando esse amor tão presente, que as palavras me dão: escrevo e através da escrita eu conto mentiras de amor, inverto o dicionário da dor e transformo palavras-saudade em sentimentos atemporais, criando a ilusão de que o sonho, ainda, não acabou.

agosto 03, 2008

Carta de Alforria











Meu passaporte para sair de você, amor, são as palavras, e feito escrava em sua senzala eu anseio pela liberdade, que um dia elas hão de me dar. Andei negociando a minha carta de alforria rumo à terra da felicidade, mas ela me foi negada.

Por que falar de amor é a minha sina? Andei sondando a possibilidade de levar o meu coração para fazer o ‘recall,’ e em troca eu daria – além dele – uma mega-sena inteira pelo direito de adquirir um coração vagabundo, mas isso também me foi recusado.

Como uma bomba de efeito retardado, o amor explodiu em minha vida e me levou a crer que seria único e inalienável, não deixando espaço às palavras para contestação. Puro engodo, propaganda enganosa.

Há tempos, que tento argumentar, fazer valer os meus direitos, recorri até a um ‘habeas corpus’ para me livrar das ilusões, mas feito sentença transitada em julgado – da qual não cabe recurso – eu fui aprisionada em um dicionário, onde só existem palavras de amor.

Foi aí que pensei: ah, quisera poder desfolhar todas as pétalas de rosas, ainda que politicamente incorreto, para fazer uma passarela onde o amor pudesse caminhar livre, leve e solto - como antigamente - mas não acredito mais, que ele possa existir! Na passarela atapetada por onde, hoje, os meus sonhos desfilam, eu fui procurar por ele e não o encontrei... Enfim estava livre, pensei! Doce ilusão, o amor perdeu o chão, mas foi procurar abrigo nas estrelas e é de lá que ele me manda notícias, sempre, nas minhas noites de solidão.

Coração Sem Juízo





Meu coração sem juízo ultrapassou as fronteiras do razoável e foi pedir abrigo às lembranças de nós dois, vasculhando armários, explorando memórias já esquecidas e semeando saudades onde só existiu solidão.

Tentei pervertê-lo, mas foi em vão! Recorri à imaginação, evoquei o passado com todas as suas dores e de nada adiantou. Feito posseiro – dos meus desejos secretos - ele se instalou confortavelmente no sonho de reaver o tempo perdido e pediu uma segunda chance ao amor.


Ah, que amor despudorado tem esse meu coração sem juízo! Vive sempre incandescente, qualquer que seja a estação e, além do mais, esquece que eu expus a minha dor em saudades, e que, nas entrelinhas das minhas cartas, as palavras estavam sempre encharcadas de amor. Amor que atravessou o tempo e se perdeu em esperas inúteis, deixando as minhas mãos órfãs dos exercícios das carícias e das trocas de ternura.

Preciso reinventar o meu afeto e dele, ocultar-lhe a face. O passado já não cabe dentro de mim... Quero a minha carta de alforria!

agosto 02, 2008

Tempo



Já houve quem indagasse por que falo tanto do tempo – esse que se conta pela sucessão das horas – e eu lhe respondi: procuro capturar dele os momentos de felicidade, pois, um dia, o amor fez de mim o seu cais e com a urgência de um passageiro em trânsito deixou meu coração dilacerado e partiu. (...).


Ando recolhendo do meu desejo a pressa em espalhar afetos, somar ternuras e multiplicar carícias, mas o tempo urge em época de relações virtuais, quando não se pode reclamar instantes perdidos e oportunidades passadas. Fazer o que então, se o ponteiro do relógio em sua inexorável marcha me tira o sabor da conquista e o poder da sedução?

Preciso de tempo e ele anda curto! O meu amor é lento em mãos de ternura e o meu mapa da felicidade está cheio de pegadas na areia; tem sempre uma onda que vem - apaga os vestígios - e escreve pelo caminho a palavra saudade. Preciso de tempo para me instalar delicadamente em seu coração e encontrar no mapa do amor, o caminho que me leve de volta às estrelas.

julho 26, 2008

Quanto Vale a sua Felicidade?




Uma pergunta me intriga: se hoje fosse o último dia da sua vida, como, com quem e onde você gostaria de estar? Experimente responder a isso sinceramente e veja para aonde as suas escolhas o estão conduzindo...

É inacreditável, que uma questão aparentemente tão simples, possa nos levar a um estado de inquietação que nos remete aos primeiros anos de nossas vidas, quando - crianças ou adolescentes – ainda não sabíamos ao certo como agir e para onde ir. É perturbador, reconhecer que, em sua maioria, muitos vão resvalar pelas respostas fáceis, escondendo-se ao abrigo das decisões que não lhes permitem voltar atrás, quer seja por comodidade, por pura covardia ou por outro sentimento de somenos importância.
Uma outra indagação se faz necessária para servir de complemento à primeira: afinal de contas, quanto vale a sua felicidade?

Às vezes, tenho a impressão de que algumas pessoas vivem numa eterna ponte aérea, entre o ser ou não ser, o ir e o vir, o desejar e o deixar partir e entre tantos sentimentos contraditórios, se perdem nos labirintos das escolhas mal sucedidas. Não sabem se vivem de verdade ou se levam uma vida virtual. Parece que estão sempre empacotando junto com as suas coisas materiais, as suas mudanças internas de afetos e sentimentos mal resolvidos, numa eterna andança para lugar nenhum.

Sempre ouvi dizer que o nosso lugar é onde está o nosso coração, mas o de algumas pessoas parece não estar em parte alguma. Vivem de mochilas nas costas procurando o seu espaço no mundo e esquecem de procurá-lo dentro de si. Passam tão pouco tempo consigo que já têm uma credencial permanente para a inadequação e outra para o deslumbramento...

Não se atrevem a reavaliar as suas opções, as suas escolhas e amiúde, passam à vida em brancas nuvens. São andarilhos de caminhos incertos que sobrevivem economizando felicidades. Por isso, responda sinceramente: se hoje fosse o último dia da sua vida; como, com quem e onde você gostaria de estar?
Feito isso, eu volto a lhe perguntar: quanto vale a sua felicidade?

julho 25, 2008

Meu Primeiro Beijo














É incrível como certas lembranças se perpetuam em nossa memória. Elas tomam posse da nossa alma e dão abrigo aos nossos sonhos sem-teto.

Sinto ainda hoje o cheiro, o gosto e o som do primeiro beijo: tinha o perfume das flores, o sabor de um pomar inteiro molhado de chuva, e o som de uma orquestra sinfônica, em andamento, disputando alegria com o pulsar do meu coração. Ah! Quanta felicidade e festa em minha vida! Chovia, fazia sol, e o astro rei dava passagem ao arco-íris que vinha trazer encantos para saudar o primeiro amor. Na passarela das minhas lembranças, agora, as imagens se sobrepõem: depois do beijo, um desencontro, saudades partidas de um amor que não floresceu. Sonho sem-teto, esperança perdida e pedaços de desejos esquecidos, na varanda da casa solidão, adormeceram em mim.

julho 16, 2008

Amor ao Poder






Vivemos uma época de ressaca amorosa...
Procuramos um amor com características próprias, ou seja, alguns quilos de carne fresca com músculos bem definidos, adornados com as grifes da moda - Versace, Louis Vuitton e Armani - e alguns adereços, certamente, adquiridos na última Fashion Week. Deseja-se ainda, que ele venha embrulhado para presente e de preferência com um pomposo sobrenome de família assinado no verso do cartão. É um amor possível, mas que pressupõe vaidades: é arrogante, orgulhoso do ‘estar’ e sempre consegue o que quer, embora padeça da efemeridade e tenha na impermanência a lógica do seu desejo desvairado. É o amor ao poder...

Pobre amor de poderes podres que chafurdam no lamaçal da boçalidade e da inconseqüência. Ao menor sinal de desilusão, ou à primeira ruga ou cicatriz que surgir, lá se vai embora o amor procurar, nas prateleiras das varas de família, o acordo mais rentável, que é para fazer justiça ao parceiro por tanta ‘ dedicação e renúncia’, ‘companheirismo e cumplicidade’.

A antítese desse amor é o poder do amor conjugado na primeira pessoa do plural – nós – e que fala amorosamente e de mãos dadas sobre: carinho, ternura, compromisso e responsabilidade, solidariedade e respeito, peças fundamentais na construção de uma vida a dois. Amores assim constituídos, não desmoronam por uma gordurinha aqui, uma celulite ali ou uma seqüela física qualquer, nem tampouco se um revés financeiro mudar os ventos da bonança para outras plagas. É um amor sem disputas de egos ou de poder. É um amor de completude e não de exclusão... É um amor com açúcar e com afeto suficientes para acender uma fogueira, ouvir o outro e, a partir daí, reinventar o amor se necessário for.

julho 13, 2008

Tempo, Palavras-promessa e Ventos







Em ritmo de bolero as palavras dançam no céu da minha boca... Duas pra lá duas pra cá.
Quero falar de amor...

De soslaio, olho para o alfabeto - que desfila em seu traje de gala extasiando-se no perfume embriagador das promessas verbais - e penso: até quando, brincar com as palavras me será útil para entender os sentimentos confusos que passeiam dentro de mim, desarmando frases e perdoando discursos, num exercício de contradição tão evidente, que nenhum alfabeto será capaz de me conceder o 'habeas corpus'.

Consulto o tempo e ele diz: você ainda é uma garota sonhadora que se debruça sobre a linguagem para recolher instantes de amor. Volto, então, às letras e pergunto-lhes sobre a importância das palavras. Elas respondem: tempo, palavras-promessa e ventos são os três mosqueteiros que destroem o código do amor.

Não satisfeita eu retorno ao salão - o céu da minha boca – aproveito o ritmo contagiante do frevo e dissolvo em segundos a sopa de letras que expõe a minha fragilidade e a minha dor... Justifico-me dizendo: são brincadeiras do dicionário num encontro com o alfabeto do desamor. E minto. (...).

Palavras-promessa espalham-se aos ventos e eu sigo brincando, ora outorgando-lhes poderes incontestáveis ora trapaceando mentiras de amor.

julho 06, 2008

Meu Pé de Flamboyant














O Pé de Flamboyant – da minha infância - era o meu passaporte para a felicidade e a minha identidade de criança. Nós fincamos as nossas raízes em um mesmo terreno e crescemos juntos. Ninguém sabia ao certo onde começava um ou findava o outro. Éramos unha e carne, parceiros e cúmplices, companheiros de uma infância feliz. “Carpe Diem” era o nosso código.

Naquela época, o tempo e o vento em conta-gotas contribuíam para o bailado que as flores executavam quando se desprendiam dos galhos, fazendo surgir em ondas vermelhas um tapete por onde rolavam as nossas emoções e a sutil arte de ser feliz, pois, de viver ninguém tinha pressa; colhíamos o dia para saboreá-lo à noite entre sussurros e risadas felizes.

O tempo se fez cupido dos meus sonhos: o meu pé de Flamboyant adormeceu em mim, e acordou hoje, trazendo lembranças que me fazem feliz outra vez.

Em seu tronco mais forte instalei um balanço – uma corda, uma tábua e um travesseiro - e eu, menina, alcei voos inimagináveis... Pura fantasia, somente realizável pela inconsequência da idade e do ser criança; muitas vezes eu subi em seus galhos com um prato de comida numa mão e um copo na outra, apenas, para olhar a cidade do alto de suas copas. Sentia-me feliz e poderosa... Era a felicidade em flocos de algodão doce tentando se misturar às nuvens para tomar banho de sol...